Atualizado 13/04/2018

A NOVA ROTINA MUSICAL DE CLEO: "ME SINTO NO DOMÍNIO DA MINHA VIDA"

Cleo é uma dessas celebridades que dispensa apresentação. Com quase 15 anos atuando na TV e no cinema, a estrela, filha de Glória Pires e Fábio Jr., mas também de Orlando Morais, seu pai do coração, é reconhecida por qualquer pessoa no Brasil - seja por seus extensos trabalhos na telinha, seja pela frequência em que aparece nos sites e revistas nacionais. No início do mês, a atriz se aventurou em uma nova profissão: a de cantora. O seu EP de estreia, Jungle Kid,  já rendeu um hit: Bandida, que foi primeiro lugar nas músicais virais do Spotify na semana de estreia. Na última quarta-feira (11), Cleo nos recebeu em seu camarim móvel durante a gravação do clipe de Jungle Kid, sua próxima música de trabalho, no bairro da Mooca, em São Paulo.

Na conversa, a agora cantora admite, depois de passar onze horas atuando para o vídeo, que enfrentou uma série de medos antes de decidir seguir a carreira musical, mesmo tendo a bagagem musical que a acompanhou na infância ("Não era minha. Não era pra mim"), revela que tem receio de subir nos palcos ("eu tento me empoderar de possibilidades positivas") e conta que teve até insônia antes do lançamento.

Feliz da vida por ter superado esses obstáculos, Cleo agora prepara terreno para a próxima novela das 7, O Tempo Não Para, em que terá papel de destaque, mas promete não abandonar a música: "essa é minha outra grande paixão. Não posso deixar isso de lado."

Falando sobre o EP, a primeira impressão que eu tive é que me lembrava Marina Lima um pouquinho, não sei se você bebeu dessa fonte...
(Risos) Eu ouvia muito e gostava muito do jeito dela cantar. Parecia que ela não tava se preparando para soltar a voz. Saia naturalmente. Eu não pensei sobre isso, mas quando me falam, eu entendo.

Já te falaram isso?
Meu próprio pai, o Orlando, fala que eu tenho uma coisa da Marina.

Cleo Pires na gravação do clipe 'Jungle Kid ' (Foto: Will Aleixo)

Essa vontade de cantar esteve em você desde sempre?
Desde sempre... Eu tinha uma banda no começo, mas eu recebi um convite da Monique (Gardenberg) pra fazer o Benjamin (filme de 2004, estreia de Cleo Pires nos cinemas) e aí eu engatei na carreira de atriz. Me envolvi muito, me apaixonei, e não via muito como fazer as duas coisas até o momento em que eu falei: 'eu tenho que fazer porque essa é minha outra grande paixão. Não posso deixar isso de lado'.

 

Você tem dois pais que estão envolvidos com música. Imagino que sua infância foi muito musical..
Foi muito musical, muito mesmo. Não só por isso. Óbvio que eu ia nos shows dos meus pais e tudo mais. Mas na minha infância mesmo, até uns 5 anos. mais ou menos, eu lembro muito do meu tio Dudu, que já se foi infelizmente, chegando do baile funk... Cantando música com meu primo. E eu e minha prima éramos pequenininhas... Eles cantavam e a gente cantava junto. Sabe aquela coisa de adolescente que chega do baile e no dia seguinte fica contando história e cantando as músicas que tocavam? Tinha muito isso. E óbvio, meus pais, os shows que eu frequentava...

Você mostrou o EP finalizado para os seus pais antes de lançar?
Eu estava no Rio e meu apartamento é em São Paulo. Lá eu fiquei na casa dos meus pais com meus irmãos, então todo dia eu mostrava o andamento pra eles, como estava. E o meu pai, o Orlando, foi muito participativo. Ele está dirigindo o show e sabe tirar o meu melhor. E eu gosto de pedir a opinião dele porque ele me fala as coisas pensando em quem eu sou. Ele tenta se conectar com quem eu sou e fala o que é bom pra mim, não o que ele acha que eu tenho que ser. A gente conversou muito, ele participou bastante dessa fase.

Com essa facilidade do streaming, tem muito artista que só faz disco, especialmente quem começou um pouco mais tarde, pra realizar um desejo. É o seu caso? Você vai fazer shows? Já pensou num conceito de turnê?
Estamos ensaiando um show de mais ou menos meia hora, quarenta minutos. São as cinco músicas do EP mais duas autorais e um cover. Eu decidi começar a ensaiar porque eu sabia que ia ter demanda em algum momento – e já tem. Vamos fazer agora um primeiro, um pocket pro nosso parceiro de projeto. Mas depois eu entro na novela, então não sei se vou conseguir colocar isso na minha rotina. Talvez aos domingos, à tarde. Mas eu quero continuar, já tenho outras músicas.

Dá pra ver a sua empolgação neste momento aqui no camarim, gravando o clipe, falando sobre o assunto. E você já começou com um hit! (Bandida foi primeiro lugar nas músicas virais do Spotify) 
Eu estou muito envolvida. Quando eu me coloquei na prática da coisa, eu vi que não posso largar. Começar assim foi incrível. É um puta reconhecimento.

  •  

Cleo aspas (Foto:  )

Cleo (Foto: Will Aleixo)

Qual é a grande diferença entre ser artista/atriz e artista/cantora? Considerando que a novela é um trabalho em conjunto e a carreira musical, o EP, é mais sobre o investimento em você mesma, um trabalho autoral?
A maior é que eu me sinto no domínio da minha vida e do que eu estou fazendo porque isso veio de dentro de mim. As letras, o desejo, partes de melodias, a criação do conceito, o visual... Veio tudo de dentro. Mas se não fosse a minha equipe, o Jorge (Grimberg), que é meu diretor de imagem, se não fosse o Guto (Guerra), que é meu produtor, se não fossem as minhas empresárias (Fátima Pissarra e Camila Zana), a minha diretora digital (Adriana Coutinho da silva), se não fosse o Jacques Dequeker (diretor), que faz esse trabalho maravilhoso, nada disso estaria acontecendo. Eu costumo dizer que sozinha eu não sou ninguém. Eu preciso das pessoas pra realizar os meus sonhos. Eu tenho as ideias, mas eu não sei executar. Eu tenho uma equipe incrível que eu passo o que eu quero e eles devolvem exatamente do jeito o que eu pensei, ainda melhor! Eles transformam fisicamente a coisa. Como atriz é diferente, você trabalha num produto de uma outra pessoa, embora seja um trabalho lindo em conjunto, pra uma coisa maior. E sendo atriz, mesmo que você não tenha criado o personagem, ao pé da letra, ele acaba sendo seu em algum momento, porque você o faz existir.

Foi bom ter a experiência de atriz antes?
Ser atriz me ensinou muita coisa. Eu aprendi muita disciplina, muito profissionalismo, resiliência. Acho que talvez foi bom eu ter começado como atriz porque hoje em dia as coisas são mais claras. Tudo o que eu aprendi foi trabalhando.

E a rotina agora, musical?
Na minha rotina muda que eu acabo falando mais de música, eu penso mais em música. Eu tenho mais oportunidades de pensar numa base, numa letra. Às vezes, na minha insônia, eu acordo com uma letra na cabeça e escrevo. Tudo ficou mais real. Eu escrevo desde os 12, mas eu não tinha uma profissão musical. Eu não tinha uma estrutura que me encorajasse e falasse ‘produz’.

  •  

Cleo aspas (Foto:  )

Mas como não? E a bagagem dos seus pais?
Mas não era minha. Não era pra mim. Eu não era cantora. Eu não tinha um produtor, uma empresária que entendia de mercado musical. Entendeu? É essa estrutura. Estou falando de equipe própria e do trabalho, de ver que aquilo é real, existe...

Foi preciso coragem pra começar?
Muita! Mesmo quando eu queria muito, quando eu tinha banda. Pra eu me apresentar era sempre um suplício. Eu tinha muito medo, era muito tímida. Não acreditava em mim, não confiava, nem um pouco. De alguma forma, ser atriz me blindava. Eu me expressava artisticamente, mas estava me expondo muito menos. Quando você tem menos domínio, tem menos responsabilidade. E eu sempre quis ser cantora, mas morria de medo. Eu pensava: ‘gente, será que eu nunca vou conseguir fazer? Sempre terei esse medo gigante?’

Tem muito cantor consagrado que até hoje tem medo dos palcos (Rihanna, Simone, Lana Del Rey já falaram sobre isso abertamente). Parou pra pensar nisso?
Palco deve ser uma pica grossíssima (risos). Eu não sei, não sei, não sei (risos). É lógico que eu penso, mas aí tento pensar positivamente. Eu tento me empoderar de possibilidades positivas e não deixar o medo tomar conta de mim. Mas eu tenho muito medo (risos).

Cleo aspas (Foto:  )

Cleo (Foto: Will Aleixo)

Não seria bom ter esse medo como respeito à plateia?
Eu não gosto do medo não. Não é bom. A cautela é legal. O medo só te fode.

Esse medo é parecido com aquele que você tinha antes de tomar coragem pra cantar?
É porque eu tinha muito medo (reforça a palavra). Se eu tivesse menos eu continuaria sendo corajosa, não precisaria ter sido tão corajosa (risos). Teria sido antes, mais rápido, mais fácil...

Você disse anteriormente que tem insônia, pensa em uma letra, acorda e escreve. Logo que o EP saiu, tivemos chamadas nos sites que repercutiam a letra de ‘Bandida’, por exemplo, que tem trechos como ‘eu não presto’, ‘sou um erva venenosa’. Levaram ao pé da letra. Perguntando abertamente: essas letras realmente te representam de alguma forma?
É muito difícil explicar letra de música. Às vezes você tá sentindo uma coisa e usa símbolos para representar aquilo. Ou você quer sentir outra, se colocar naquele lugar. Então você escreve o que quer sentir, não exatamente o que está sentindo ou o que está vivendo. Ou pode ser um paradoxo das coisas que você está vivendo. Justamente porque estou numa situação x e quero estar na y. Mas se eu não tivesse na x, eu não escreveria sobre isso. Até as partes que eu não escrevi, porque a gente tem parcerias muito boas no EP, são coisas que eu queria falar. Temas e formas e jeitos de falar que eu queria. Eu tenho dificuldades de escrever em português, aí eu “caneto” em cima e fica mais fácil pra mim. Mas fazer a melodia em português, a letra, é mais difícil.

Por que?
Eu fui alfabetizada nas duas línguas e me identifico muito com inglês. Primeiro pela facilidade de se comunicar muito livremente, com gente de todas as partes. Os filmes que eu assistia eram em inglês, as músicas que eu ouvia também, não todas, mas muitas. Eu acabava me expressando daquela forma. E aí comecei a escrever em inglês. Até escrevo em português, mas pra mim é difícil musicar o que eu escrevo.

Neste momento do Brasil, tem um monte de artista se posicionando política e socialmente sempre que há necessidade. Recentemente o Rock in Rio lançou um grupo de artistas pra fazer uma música antiviolência no Rio. Muita gente que não tinha opinião passou a protestar sobre diversos assuntos (feminismo, corrupção, etc) nos shows, na música. E você já se expressa muito bem quando fala de sexo, por exemplo. E abre uma discussão e menciona coisas que as pessoas normalmente não têm coragem de dizer. Você acha que em algum momento se sentirá nesta obrigação de também ser ativista na música por imposição?
Eu não penso desta forma. Eu não sei ser política. Eu acho que a política está em todos nós, é uma coisa humana. Quando eu penso em falar sobre ser mulher, meus prazeres, eu não penso politicamente. Eu penso do meu jeito. Eu não sei colocar num formato como um recado.

Acho que eu não consegui me expressar direito na pergunta. A Karol Conka, por exemplo, é uma cantora que vê oportunidade em se posicionar. Ela fala do negro, fala do feminismo, de uma forma muito forte, importante, mas musical.
A Karol Conka é muito foda. As letras dela são foda. Quando você fala que são políticas, é engraçado, eu não sinto isso dela. Eu acho que ela retrata uma realidade que ela vive. Ela se expressa porque ela tem que se expressar desse jeito. Se é sobre sexo oral, se é sobre a realidade da mulher negra no Brasil, é a voz dela que está ali. Isso é maravilhoso. Tem que vir de dentro. Não é sobre ser político ou não.

Cleo (Foto: Will Aleixo)

Você chegou a ler alguma crítica do EP?
Eu li algumas, não no início. Eu estava muito nervosa, pisando muito no escuro, me jogando no abismo (risos). Eu pensei ‘cara, só vou confiar no que eu confiei até agora que é o amor que eu tenho pelo que eu tô fazendo, as parcerias, as oportunidades e o som que eu estou criando, que adoro escutar. O resto, foda-se’. Aí depois que eu fiquei mais segura resolvi ler. E vi muitas coisas legais.

A recepção foi bem positiva.
Foi muito. Eu fiquei muito feliz. Só que eu não quero me basear nisso. Eu acho que em algum momento eu vou fazer uma coisa que ninguém entenda. Isso acontece, a gente não é feito de sucesso. Eu quero primeiro estar segura de mim pra depois poder absorver uma crítica. Se não ela cria muita importância.

  •  

Cleo aspas (Foto:  )



Já deu importância a críticas?
Claro, sou um ser humano (risos).

Você lê coisas sobre você?
Cara, eu já li muito. Sempre tinha alguém que vinha: ‘você viu o que falaram de você?’. Nunca fui de googlar o meu nome. Mas aí, quando alguém falava eu lia. E era muito ruim. Depois disso, ninguém mais chega com essas notícias porque eu já falo ‘não quero saber’. Eu não gosto de ser influenciada por isso. Eu leio uma coisa ou outra que minha assessoria me manda, que meu digital me manda, mas não gosto de ficar focada nisso.

Nas fotos de divulgação, temos uma Cleo com sensualidade bem aflorada, assim como nas letras. E juntando a todas as suas últimas entrevistas, em que você coloca sua sexualidade de forma muito natural, pergunto: como é a reação do público, considerando o moralismo da sociedade? Não tô falando dos fãs fieis, mas dos jornalistas, do público que te assiste na TV e que não te acompanha, por exemplo, nas redes sociais...
Virtualmente, esses caras fazem isso com todo mundo. Eles querem odiar, falar mal, são frustrados. Eu não caio nessa. Só às vezes quando vejo a oportunidade de dar um vrá muito maravilhoso (risos). Mas normalmente eu peço pra apagar, acho uma bobagem.

Em entrevistas anteriores, inclusive pra QUEM, você mencionou a vontade de adotar ou ter filhos. A decisão de ter mais uma profissão, a de cantora, adia os seus planos pessoais?
Não, eu sempre tive muito medo de ser mãe e sempre tive muito desejo. Eu sou muito maternal. Eu fui com os meus irmãos, por exemplo, principalmente do lado da minha mãe, que eram irmãos que eu morava e tudo o mais. É que até agora não rolou, não aconteceu, não teve plano. Mas se eu fosse um homem você estaria perguntando isso?

Acho que sim.
Eu nunca vejo essas perguntas pra homens. Tipo a questão de se expor sexualmente. Eu acho peculiar. Será que perguntariam isso pra um homem?

É uma pergunta machista?
Eu não acho que seja machismo explícito, mas as pessoas estão acostumadas com esse tipo de pergunta. Por que ela não é mãe até agora? E da exposição sexual. Eu por exemplo não acordo e falo: ‘gente, eu transei. Gente, eu não transei’. É porque os homens respondem e as mulheres normalmente não. Mas só porque eu não finjo que sou sonsa acaba voltando nisso.

Te incomoda que sempre te perguntem sobre sexo?
Não me incomoda falar sobre isso, me incomoda a forma como as pessoas encaram isso pelo fato de eu ser mulher. Isso é chato. Não tira meu sono, mas é tipo assim: ‘jura, nessas horas depois de eu trabalhar o dia inteiro?’ (risos). Os temas podem ser variados, não precisamos sempre tocar nesta tecla. É meio sexista. Falamos de vários assuntos, mas teve perguntas que você pontuou a sexualidade. As outras foram ótimas. Você não me parece machista.

Vamos fazer uma pergunta sem relação com sexo.
(Cleo e equipe gargalham).

Cleo  (Foto: Will Aleixo)

Cleo aspas (Foto:  )

Me fala sobre a tensão do pré-lançamento. Como é que você ficou nesses dias antes de revelar o trabalho ao público?
Eu tive dificuldades com as letras em português. Eu me sentia ridícula. Eu achava que era horrível. O Guto (produtor) falava: ‘para de se criticar, você está maravilhosa’. Uma semana antes eu comecei com esse negócio de não conseguir dormir. E eu não tava entendendo o porquê. Aí meu professor de voz disse que minha voz tava assim... Horrível. Ele perguntou: ‘você está dormindo?’. Eu disse: ‘não tô conseguindo’. Aí respondeu: ‘é porque semana que vem lança seu EP’. Pode crer. Era isso.

Essa insônia era por aceitação?
Não sei, não sei. Acho que era mais inespecífico. Era pelo desconhecido, mesmo. 

Mas agora você parece radiante, muito feliz.
(Risos) Mas eu estava feliz já. Eu amo novidade. Eu fico com muito medo, mas eu amo. A música ajudou com minha autoestima. Eu poder me expressar dessa forma que pra mim é muito natural e ter pessoas que compram essa onda, que trabalham comigo e falam: ‘vamos fazer’, é maravilhoso. Isso me dá muito gás, me ajuda. O meu medo não era de ninguém gostar. Eu até pensava na pior crítica, na pior coisa que poderiam. Mas foda-se, eu fiz de dentro do meu âmago. Se não gostarem, não vão gostar, o que eu posso fazer? Tive medo do novo. E eu pensava: ‘cara, depois de 35 anos finalmente eu vou lançar, vão ouvir minha voz, minha interpretação’. Tudo era muito novo. Eu acho que eu fiquei assim também no primeiro dia de gravação como atriz.

Das cinco músicas do EP, qual seria a sua favorita?
Ah, é tipo escolher filho. Sinceramente, eu não gosto muito de me escutar. Quando a gente tava produzindo, tinha fases. Teve um momento que eu gritava: ‘Meu deus, não consigo mais escutar essa música’ (risos). Agora eu acho que por conta do clipe é Jungle Kid. Mas não dá pra escolher, não consigo. Eu gosto tanto de todas.

O EP tem músicas que você já escrevia antes, quando ainda estava só na vontade?
Tinha algumas antigas, que o Guto (produtor) deu pra duas amigas dele musicarem. Elas fizeram a melodia de voz e aí a gente fazia a base. Eu ainda não entendi o método do meu processo criativo. Ele é muito solto.

Qual é o da Jungle Kid?
Porque eu sou uma Jungle Kid (risos). Pra sempre eu vou ser a criança selvagem que eu era na infância. É minha forma mais essencial. É onde você consegue viver plenamente sem pensar, sem precisar de muletas, insegurança. Você só existe, e ponto. Esse é um conceito que quando eu era criança era muito real. Eu tinha uma vida muito de rua, morava no Recreio. Só tinham três casas na minha rua e do lado era a comunidade do Terreirão. Era uma farra. Era rua, bicicleta... Tudo era brincadeira viva. Eu gosto de me reconectar com essa minha fase.

Você é nostálgica?
Eu tenho momentos nostálgicos. Mas eu não me consideraria uma pessoa nostálgica. Tem coisas que me conectam com a infância e às vezes eu me emociono. Eu rio, eu choro, eu tenho vontade de chorar ou alguma coisa assim. De vez em quando eu fico feliz porque tenho uma lembrança que eu tive antes. Mas eu acho que isso acontece com todo mundo. Eu não tenho essa coisa de ‘a vida era muito melhor’. Por exemplo, essa noite eu sonhei com minha avó, que morreu. Engraçado, na noite anterior ao vídeo...(Cleo fica pensativa) Quando eu lembrei do sonho eu tentei conectar com as coisas do passado. Mas não fico vivendo no passado. Eu gosto de me conectar com a essência.

Cleo (Foto: Will Aleixo)

Qual é a história por trás do clipe de Jungle Kid?
Ele fala de muitas coisas, das minhas várias ‘eus’. Eu me assistindo existindo e quando eu existo a mistura da melancolia, com a alegria, com a agressividade, com a delicadeza, da menina com o menino. Tem uma estética que fala muito com os anos 1990, que tem uma fase musical que me marcou muito, Marilyn Manson. Ele tem esse conceito, mas a gente utiliza várias ferramentas, como projeções de um lobo na minha pele.

Será que a nova novela das 7, O Tempo Não Para, vai inevitavelmente ter que fazer você desacelerar um pouco a parte musical?
Eu não sou protagonista. Eu devo gravar bem, porque é um personagem importante, mas não toda hora. Acho que um dia ou outro vai dar pra eu ir no estúdio, terminar produção das coisas, marcar um show no domingo, umas coisas assim. Mas com certeza não vai ser o tempo todo, como está agora.

Já está apegada à carreira de cantora?
Cara, eu estou (risos). Quando acabamos de produzir as músicas, quando a gente ia ao estúdio todo dia, eu já falava: ‘caralho, eu tô com muitas saudades, o que eu faço?’. Foi muito bom. E eu não quero parar mais.

FOTOS BASTIDORES: Will Aleixo
FOTOS POSADAS: Jacques Dequeker

cleo (Foto:  Jacques Dequeker)

Fonte: REVISTA QUEM.GLOBO
© Copyright 2017 - Rede Nossa Rádio, Todos os direitos reservados Desenvolvido por HZ Soluções