Atualizado 13/03/2018

Aluno é salvo por livro que deveria ter devolvido antes de ataque no CE

Estudante percebeu nesta segunda-feira (12) que, se não fosse o material em sua mochila, teria sido atingido durante chacina em Fortaleza

O atraso de 14 dias para a entrega de um livro do Instituto Federal de Ciências e Tecnologia de Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, salvou a vida de um estudante de Engenharia de Controle e Automação.

O material, que estava guardado na mochila do aluno, parou uma bala que atingiria as costas do jovem durante o ataque a tiros no bairro do Benfica, na última sexta-feira (9).

"Tive muita sorte por não ter sido atingido e estar com um livro que já era para eu ter devolvido", diz o estudante, que pediu para não ser identificado.

Somente três dias depois que ele percebeu que o livro "Introdução à Mecânica dos Fluídos", estudado na matéria "Física II", pode ter salvado sua vida. O rapaz viu a bala no livro destruído quando foi arrumar o material, na manhã desta segunda-feira (12).

"Tive muita sorte por não ter sido atingido e estar com um livro que já era para eu ter devolvido"

Estudante que foi salvo de chacina por um livro de física

Ainda na sexta-feira, o rapaz tinha percebido que a mochila estava rasgada, mas pensou que fosse algum corte feito com vidro no momento da confusão. Ele afirma que não sentiu o impacto no momento que foi atingido.

Apesar de considerar que nasceu de novo, o rapaz brinca por não acreditar que tenha sido um feito milagroso: "Milagre seria se não tivesse com minha mochila e o projétil parasse antes de me atingir". Para ele, o feito é atribuído às técnicas adquiridas no período que serviu o Exército.

"A forma que eu agi no momento foram reflexos dos treinamentos que tive no Exército. Na hora, ouvi os disparos e me abaixei. Tentei manter minha linha abaixo dos obstáculos e fui saindo. Uma hora o atirador mirou para esquina, em minha direção, mas eu não vi disparo e não senti nada", lembra o jovem.

Ele estava na praça da Gentilândia com alguns amigos para comer e tomar cerveja depois da aula. O local é um ponto de encontro de estudantes universiários de diversas instituições e fica a cerca de 300 metros da UFC (Universidade Federal do Ceará). A praça foi o primeiro de três pontos dos ataques que deixaram sete mortos e sete feridos.

 

 

Os ataques

Segundo a SSPDS-CE (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará), a praça da Gentilândia foi o primeiro local dos ataques, onde três pessoas morreram: José Gilmar Furtado de Oliveira Júnior, 33 anos, Antônio Igor Moreira e Silva, 26 anos, e Joaquim Vieira de Lucena Neto, 21 anos.

Na sequência, houve mais dois ataques próximo à sede da Leões da TUF (Torcida Uniformizada do Fortaleza), no mesmo bairro. Primeiro, bem em frente à sede, Carlos Victor Meneses Barros, 23 anos, foi baleado e morreu no local.

Na fuga, os autores atiraram contra outro grupo de membros da torcida organizada. Pedro Braga Barroso Neto, 22 anos, morreu na hora, e os torcedores Emilson Bandeira de Melo Júnior, 27 anos, e Adenilton da Silva Ferreira, 24 anos, chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.

Fonte: R7.COM
© Copyright 2017 - Rede Nossa Rádio, Todos os direitos reservados Desenvolvido por HZ Soluções