Atualizado 19/04/2018

Considerada heroína com 'nervos de aço' por passageiros, piloto de voo da Southwest foi treinadora da Marinha

Tammie Jo Shults, de 56 anos, manteve a calma durante pouso de emergência após explosão de motor e janela quebrada. Primeira mulher a pilotar um caça F/A-18 Hornet nos EUA, ela foi militar antes de entrar para a aviação comercial.

Passageiros elogiaram os "nervos de aço" da piloto da Southwest Airlines que conseguiu fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional da Filadélfia, na Pensilvânia, na terça-feira (17), depois que um dos motores do avião explodiu e uma das janelas atingidas por estilhaços da fuselagem quebrou.

A passageira que estava perto da janela quebrada, Jennifer Riordan, de 43 anos, teve parte do corpo sugada para fora da aeronave e morreu. Sete pessoas ficaram feridas no acidente. O voo 1380 estava a caminho de Dallas, no Texas, com 149 pessoas a bordo.

Tammie Jo Shults, de 56 anos, manteve a calma e, para os passageiros, conseguiu evitar uma tragédia maior.

A piloto conseguiu fazer o pouso de emergência ao descer rapidamente, enquanto passageiros usavam as máscaras de oxigênio e se preparavam para o impacto.

 

Nervos de aço

 

O passageiro Alfred Tumlinson, de Corpus Christi, Texas, disse à Associated Press que Shults e sua equipe foram extremamente profissionais.

 

“Ela tem nervos de aço. Aquela mulher, eu a aplaudo. Vou mandar a ela um cartão de Natal. Com um vale-presente por ter me colocado no chão. Ela foi sensacional”.

 

"A mulher, a tripulação, tudo, todos foram perfeitos. Eles foram tão profissionais no que fizeram para nos colocar em solo", acrescentou.

A piloto Tammie Jo Shults e membros da tripulação são vistos dentro do voo 1380 da Southwest Airlines, em Filadélfia, na Pensilvânia, na terça-feira (17) (Foto: Kristopher Johnson/via Reuters)

A piloto Tammie Jo Shults e membros da tripulação são vistos dentro do voo 1380 da Southwest Airlines, em Filadélfia, na Pensilvânia, na terça-feira (17) (Foto: Kristopher Johnson/via Reuters)

A piloto Tammie Jo Shults e membros da tripulação são vistos dentro do voo 1380 da Southwest Airlines, em Filadélfia, na Pensilvânia, na terça-feira (17) (Foto: Kristopher Johnson/via Reuters)

Passageiros disseram ainda que, assim que o avião pousou, a piloto caminhou pelos corredores e conversou com eles para se certificar de que estavam bem.

Peggy Phillips, de Brandon, Texas, também estava a bordo e disse à emissora NBC que considera a piloto "uma heroína". "[...] Quando aquele motor explodiu, acho que estávamos meio pensando 'bem, acho que já era'", lembra.

 

“Nos colocar no chão com um motor explodido e nos pousar em segurança é nada menos do que um milagre para mim. Ela é uma heroína, com certeza”.

 

 

Gravação

 

A tranquilidade de Shults pode ser comprovada pelo tom de sua voz na gravação de sua comunicação com a torre de comando do aeroporto, quando ela relatou o acidente. Após informar sobre a explosão, ela foi questionada se o avião estava em chamas.

"Não, não está em chamas, mas parte dele está faltando", disse, fazendo uma breve pausa. "Disseram que há um buraco e que alguém saiu".

Tammie Jo Shults, em foto de 1992. Ela trabalhou na Marinha e se tornou uma das primeiras mulheres a ser piloto militar nos EUA  (Foto: Thomas P. Milne/U.S. Navy/Reuters)

Tammie Jo Shults, em foto de 1992. Ela trabalhou na Marinha e se tornou uma das primeiras mulheres a ser piloto militar nos EUA  (Foto: Thomas P. Milne/U.S. Navy/Reuters)

Tammie Jo Shults, em foto de 1992. Ela trabalhou na Marinha e se tornou uma das primeiras mulheres a ser piloto militar nos EUA (Foto: Thomas P. Milne/U.S. Navy/Reuters)

"Desculpe, você disse que tinha um buraco e alguém saiu?", perguntou o controlador em tom de incredulidade. "Sim", respondeu a piloto, ainda mantendo o controle emocional.

 

Carreira militar

 

Tammie Jo Shults tem 56 anos e se formou em 1983 pela MidAmerica Nazarene University, de Olathe, no Kansas, em biologia e agronegócios, segundo uma porta-voz da universidade.

Em seguida, ela se alistou na Marinha, onde se tornou uma das primeiras mulheres a ser piloto militar nos EUA – apesar da resistência que sofreu dos colegas homens.

De acordo com o jornal "The Kansas City Star", ela foi a primeira mulher a pilotar um caça F/A-18 Hornet para a marinha norte-americana. Antes de se tornar piloto comercial, Shults foi treinadora de pilotos na Marinha.

À Associated Press, o cunhado dela, Gary Shults, a descreve como "uma mulher formidável". Ele diz que seu irmão, Dean Shults, que também é piloto, afirma que ela é a melhor piloto que ele já viu. "Ela é uma pessoa muito atenciosa e dedicada, que cuida de muita gente", resume.

Fonte: G1.GLOBO
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