Atualizado 07/03/2018

Fórum na Expodireto prevê que demanda da soja deve subir, mas sem melhoria no preço

Produtor terá que construir margem para obter lucro, apesar de previsão apontar aumento de exportação nos próximos 10 anos

O Brasil deve elevar, em dez anos, a exportação de soja dos atuais 25 bilhões de dólares para 38 bilhões. A conjuntura favorável para o grão em termos de demanda mundial, no entanto, não se converterá em um cenário fácil ao produtor. Em palestra desta terça-feira no 29º Fórum Nacional da Soja, evento promovido pela Cotrijal e Fecoagro/RS, na Expodireto, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Fava Neves, disse que, na próxima década, não haverá melhoria de preço, o que exigirá do produtor a construção de margem de lucro, em cima da redução de custos de produção. “Vai ter muito mercado pela frente ao preço atual”, projeta Neves, ao analisar que, nos próximos dez anos, espera-se preço médio ao redor de 9,5 a 10 dólares o bushel. Neste ano, deve variar entre 10 e 11,2 dólares o bushel.

 

Para trabalhar melhores margens de ganhos, Neves recomendou que o sojicultor faça mais uso das tecnologias, aumente a integração de atividades na propriedade, reduza o endividamento e trabalhe de forma compartilhada para construir escala. Para obter melhor produtividade, a dica do agrônomo Antônio Luis Santi, é que o produtor corrija os problemas de manejo que, segundo ele, atingem cerca de 30% da área das lavouras. Segundo previsão de Santi, pelo menos 2,2 milhões de hectares de soja dos 5,7 milhões semeados na safra de 2017/2018 tem rendimento comprometido por conta de negligências cometidas no sistema de plantio direto, considerado uma das maiores revoluções agrícolas da história. “Tivemos anos promissores, e acabamos desacelerando cuidados que deveríamos ter mantido”, alertou Santi.

 

Na atual safra, segundo a Conab, os gaúchos devem colher, em média, 51 sacas de soja por hectare. “A falta de qualidade do solo gera zonas de baixa produção e o produtor fica num limite de risco entre empatar ou nem alcançar os custos de produção”, acrescenta Santi. Para o coordenador técnico da Cooperativa Central Gaúcha (CCGL), agrônomo José Ruedell, o que falta hoje é o produtor viabilizar a rotação de culturas. “As ameaças de plantas daninhas, de pragas, de doenças, de compactação do solo, de baixa taxa de infiltração de água no solo seriam superadas com o plantio direto”, ensina.

Fonte: JORNAL CORREIO DO POVO
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