Atualizado 01/12/2017

PIB cresce 0,1% no 3º trimestre, na terceira alta seguida

Indústria e serviços registraram avanço no período, segundo o IBGE. Em um ano, a alta é de 1,4%.

No terceiro trimestre deste ano, a economia brasileira registrou a terceira alta seguida. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1% em relação aostrês meses anteriores, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (1º). Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,6 trilhão.

Os economistas ouvidos pelo G1 previam uma variação do PIB maior no terceiro trimestre. No entanto, eles ressalvam que a variação de 0,1% no período foi compensada por uma revisão no resultado do PIB acima das expectativas.

“O 0,1% espantou um pouco, mas é preciso ter cuidado nessa análise, porque o IBGE revisa bem as contas no terceiro trimestre e isso mudou bem a dinâmica trimestral”, afirma Alessandra Ribeiro, economista da Tendências, que projetava uma alta de 0,4%.

Por rotina, o IBGE revisou o PIB do primeiro e segundo trimestres. Em vez do crescimento de 0,2% no período de abril a junho, o avanço foi de 0,7%. Já no primeiro, o crescimento foi de 1,3%, ao contrário do 1% anteriormente divulgado.

 

Variação trimestral do PIB por trimestres desde 2015 (Foto: Arte/G1)

Variação trimestral do PIB por trimestres desde 2015 (Foto: Arte/G1)

ENTENDA O PIB E COMO ELE É CALCULADO

Dois dos três setores que compõem o cálculo do PIB registraram avanço. A indústria cresceu 0,8%, influenciada pelas indústrias de transformação (1,4%) e extrativa (0,2%), e os serviços avançaram 0,6%, diante do resultado positivo do comércio (1,6%).

Na contramão, a agropecuária recuou 3%, após uma queda de 2,3% no trimestre anterior e de uma forte alta de 12,9% de janeiro a março.

 

Composição do PIB (Foto: Arte/G1)

Composição do PIB (Foto: Arte/G1)

“A agropecuária foi a grande responsável pelo PIB não ter crescido mais. Caiu porque a gente não tem mais safra da soja e entrou a safra da cana, que está com estimativa de queda. Pelo serviço e pela indústria, a gente teria crescido bem mais”, disse Rebeca de La Rocque Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. Segundo ela, ignorando a agropecuária, o crescimento do terceiro trimestre teria ficado entre 0,6% e 0,8%.

 

 

PIB por setores no 3º trimestre; houve revisão do IBGE nos trimestres anteriores (Foto: Arte/G1)

PIB por setores no 3º trimestre; houve revisão do IBGE nos trimestres anteriores (Foto: Arte/G1)

Também é considerado no cálculo do PIB o consumo das famílias, que durante muitos anos sustentou o crescimento da economia. No terceiro trimestre, a alta foi de 1,2%, a mesma registrada no trimestre anterior.

Segundo a pesquisadora, o crescimento do consumo das famílias foi influenciado pelo aumento de 2% da massa salarial real, pela queda da taxa de juros e pela desaceleração da inflação.

As despesas do governo seguem em queda pelo quinto trimestre consecutivo (-0,2%), segundo o IBGE.

O desempenho do setor externo também contribuiu com o PIB do terceiro trimestre, ainda que tenha peso menor do que os outros indicadores. As exportações cresceram 4,1%, depois do avanço de 1,2% no segundo trimestre, e as importações subiram 6,6%, após queda de 3,4%.

 

Investimentos

 

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), taxa que apura o que se investe em máquinas, bens duráveis e construção civil e que entra no cálculo do PIB, avançou 1,6% na comparação com o trimestre anterior. A última variação positiva do indicador tinha sido registrada no terceiro trimestre de 2013 (0,6%).

Mais: Investimentos voltam a subir após 4 anos de queda

Com a alta, a taxa de investimentos medida em percentual do PIB (Produto Interno Bruto) subiu para 16,1% no 3º trimestre.

Com a volta dos investimentos, reforçam as apostas de que a recuperação da economia brasileira tende a ganhar um pouco mais de tração daqui para frente.

“A grande diferença neste trimestre pela ótica da despesa é a recuperação dos investimentos. Até o ano passado a gente continua com quedas seguidas e agora houve crescimento de 1,6%”, disse a coordenadora.

De acordo com Rebeca, o avanço dos investimentos tem a ver com a produção e a importação de bens e serviços, já que a construção ficou estável em relação ao trimestre anterior.

“A gente vai ver que a exportação da agropecuária foi altíssima neste terceiro trimestre. A maior parte da produção de soja e de milho estava sendo acumulada e começou a ser escoada neste trimestre.”

 

Comparação com 2016

 

Em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB registrou alta de 1,4%, a maior desde o primeiro trimestre de 2014. Nessa base de comparação, ao contrário do que foi observado na análise trimestral, a agropecuária cresceu 9,1%. O IBGE atribui esse resultado ao desempenho da safra no período, como a do milho (54,9%) e a do algodão herbáceo (10,7%).

A indústria avançou 0,4%, puxada pelo aumento da produção de alimentos, veículos, móveis, máquinas e equipamentos, entre outros. Serviços, por sua vez, tiveram alta de 1%, sob influência do comércio (atacadista e varejista).

“Olhando por dentro das 12 atividades, a gente vê o comércio como maior destaque [cresceu 1,6%]. Ele está relacionado com o aumento do consumo das famílias”, afirmou Rebeca.

 

Acumulado no ano

 

No ano, o PIB acumula crescimento de 0,6%, puxado pela agropecuária, que avançou 14,5%. Já a indústria tem queda de 0,9%, puxada pelo recuo visto na construção (-6,1%). O setor de serviços também tem, até setembro, resultado negativo (-0,2%), influenciado pelos recuos nos ramos de informação e comunicação (-2%) e atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-1,8%).

Apesar de ter subido pela primeira vez em 16 trimestres no período de julho a setembro, a Formação Bruta de Capital Fixo, que é um indicador de investimento da economia, acumula queda de 3,6% no ano.

A despesa de consumo das famílias avança 0,4% e os gastos do governo recuam 0,6%. As importações de bens e serviços sobem 3,9%, e as exportações, 4%.

 

PIB dos países (Foto: Editoria de Arte/G1)

PIB dos países (Foto: Editoria de Arte/G1)

 

Sinais de recuperação

 

Os sinais de uma recuperação econômica, ainda que tímida, já aparecem nos balanços divulgados por diversas empresas no terceiro trimestre. Brasileiros ouvidos pelo G1 também dizem que sentiram alguma mudança na economia, embora as marcas da crise ainda permaneçam nas suas vidas.

Mais: Melhorou ou não? Empresas e consumidores avaliam o cenário econômico do 3º trimestre

Além do balanço das empresas, o comércio informal também sentiu uma retomada do consumo. O ambulante Josivaldo Nunes Cardoso, de 40 anos, disse que as vendas melhoraram.

“Antigamente o pessoal não confiava muito para comprar, e agora senti que isso está melhor”, avalia.

 

O vendedor ambulante Josinaldo Nunes Cardoso diz que sente uma melhora da economia, mas ainda não conseguiu emprego com carteira assinada (Foto: Karina Trevizan/G1)

O vendedor ambulante Josinaldo Nunes Cardoso diz que sente uma melhora da economia, mas ainda não conseguiu emprego com carteira assinada (Foto: Karina Trevizan/G1)

Fonte: G1.com
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