Atualizado 28/07/2017

Alta nos combustíveis provoca 'efeito cascata' em preços de alimentos no RS

A alta nos preços dos combustíveis devido à elevação dos impostos causa impacto no preço dos alimentos transportados via terrestre, devido ao custo do diesel nos caminhões. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul, Afrânio Kieling, explica que, como o transporte tem várias etapas, o aumento dos preços sofre um "efeito cascata".

"No custo de cada um, tem todas as fases do processo até o produto chegar à nossa mesa. Então tem transporte, feirante, supermercado, distribuição, lavagem e conservação, câmaras frias... tudo é consequência. É um processo enorme, não é uma operação pequena, é complexa. Então, se aumenta 4%, tem aumento em cascata para cada um recompor o seu custo daquele produto", afirma Kieling.

Para itens da cesta básica, como arroz e feijão, o frete representa 40% do preço final. Assim, quanto mais viaja pra chegar até a o consumidor, mais caro fica o alimento. Maracujá, morango e abacate chegam de Minas Gerais, a 2 mil km do Rio Grande do Sul. O abacaxi é transportado da Paraíba, a 3,6 mil km, e o melão, do Ceará, é levado por 4 mil km.

O aumento é comprovado pelo feirante Jorge Gomes. Segurando uma pequena caixa de morangos, ele explica o quanto o produto está mais caro. "Há uma semana, o frete para essa caixinha chegar até Porto Alegre era R$ 1. Hoje está R$ 1,20. O comprador lá em cima que compra, era R$ 0,50 por caixinha. Hoje é R$ 0,60, ou seja, subiu 20%", discorre o comerciante.

 

Com esse aumento, o feirante sugere o consumo de alimentos de origem local. "O kiwi nacional custa R$ 4 por kg. Temos o pinhão, que é nosso. Não fez frio esse ano, pinhão baratíssimo também. As maçãs são gaúchas, nossas, de Vacaria. Ainda tem preço muito acessível", destaca.

Responsáveis pelo frete, os caminhoneiros enfrentam um dilema: se arcar com o aumento do diesel, tem prejuízo, mas se repassar a alta, os clientes desaparecem. "Eu gasto em torno de R$ 800 de pedágio, para vir lá do Espírito Santo a Porto Alegre, então não tem cabimento", protesta o motorista Celso Alves.

O aumento é repassado para os distribuidores, como observa Rafael Somacal, diretor de logística de uma empresa de comércio e transportes de Farroupilha, na Serra, que vende frutas, carnes e peixes. "O Brasil é um país rodoviário, consequentemente vai ser repassado, porque não tem outro jeito. O custo cada vez aumenta mais, a carga tributaria é altíssima e vai aumento para a gôndola", afirma.

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