Atualizado 19/07/2018

Cadeirante, aluno da UFRGS pode ser impedido de entrar pela porta da frente na própria formatura

Estudante fez denúncia ao Ministério Público. Encontro com representantes da universidade abre possibilidade de instalação de rampa de acesso no Salão de Atos

O estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Alex Viana pode ter que entrar na própria formatura pela porta dos fundos. Cadeirante, o formando do curso de Relações Públicas busca desde abril uma solução para entrar no Salão de Atos da mesma maneira que todos os colegas. As tentativas de contato, no entanto, foram ignoradas pela administração da universidade, que só se manifestou quando o Ministério Público entrou em cena, depois de Alex fazer uma denúncia por discriminação.

– Em nenhum momento as pessoas pensam no cadeirante como protagonista – desabafa Viana. Uma reforma feita no salão em 2015 só previu espaços especiais para cadeirantes na plateia. Outras duas opções foram ofertadas à Alex: ser carregado até o palco, no colo, escada acima, ou entrar pela rampa de acesso localizada próximo à porta dos fundos do local. Para Alex, as propostas, além de humilhantes, são perigosas.

Na tarde de quarta-feira (18), nove representantes de diferentes setores da UFRGS receberam Alex e outro aluno, também cadeirante, para uma reunião. A proposta inicial era de que ele utilizasse um carrinho escalador – uma espécie de elevador portátil – , que também exigiria que fosse carregado, já que sua cadeira de rodas não tem tamanho compatível.

Alex afirma ter saído da reunião com a promessa de que será colocada uma rampa segura na parte da frente do palco. A instituição deve encaminhar, ainda nesta quinta, um documento em que se compromete a instalar o equipamento. 

– Se isso não ocorrer, vou recorrer à Justiça – garante o aluno.

O problema não é novidade. Alex iniciou os estudos na UFRGS em 2005, no curso técnico em gestão. Na formatura, em 2007, já teve que entrar pela porta dos fundos. Agora, quer ser tratado com igualdade. Em um texto com quase 200 compartilhamentos no Facebook, o formando pede ajuda para "ter o mesmo acesso autônomo, seguro e independente, assim como está sendo garantido aos demais alunos".

A universidade confirma a realização de reunião de conciliação com Viana e deve se posicionar oficialmente sobre o assunto na tarde desta quinta-feira.

Fonte: GAÚCHA ZH
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