Atualizado 17/05/2019

Falta de dados prejudica criação de regras sobre patinetes elétricos em Porto Alegre

Após três meses de testes dos patinetes elétricos em Porto Alegre, a falta de dados sobre o funcionamento prejudica a criação de regras para o funcionamento dos equipamentos. Entre as informações que ainda não foram apresentadas está o número de acidentes envolvendo os usuários.

Mesmo sem dados oficiais, profissionais da área da saúde relatam um aumento na quantidade de atendimentos envolvendo acidentes com patinetes. Semana passada, um idoso foi atropelado por um usuário do equipamento quando caminhava na Avenida Praia de Belas.

Sem regulamentação pronta, os patinetes funcionaram nos últimos três meses em período de avaliação, o que foi possível graças a um decreto de 2017 no qual o poder público permite o teste de novas tecnologias. O prazo inicial encerra-se dia 20 de maio, mas o governo decidiu ampliar o período por mais 90 dias e vai abrir uma consulta pública antes de criar uma lei para o funcionamento.

Sem dados concretos a respeito dos acidentes, a EPTC encontra dificuldades para definir ações de segurança. Entretanto, tudo indica que o funcionamento não será proibido. De acordo com o secretário extraordinário de Mobilidade Urbana da Capital, Rodrigo Mata Tortoriello, o objetivo da regulamentação é “não inviabilizar o funcionamento”. Segundo Tortoriello, a dificuldade para quantificar os acidentes está nas subnotificações. Ele disse ser necessário que os usuários informem sobre acidentes. “É um apelo que fazemos, até para podermos avaliar políticas de segurança no trânsito, que sejamos comunicados sobre acidentes”, explicou.

Mesmo sem dados oficiais, o gerente de relações governamentais da Grow, empresa que abarca a Yellow e Grin, responsáveis pelo aluguel de patinetes e bicicletas, Milton Achel, faz uma projeção baseado nos casos de São Paulo. Segundo ele, Porto Alegre segue a tendência de outras cidades brasileiras, com média de 0,8 acidentes a cada 10 mil viagens, número que é considerado “baixo” por ele. Entre os temas que estão sendo discutidos para evitar ferimentos graves em acidentes está a obrigação de as empresas distribuírem capacetes. Porém, técnicos da EPTC consideram sua aplicação inviável.

Por sua vez, a Grow garante que tem feito a distribuição de capacetes em algumas praças do país, mas Achel considerou a obrigatoriedade pouco efetiva. “Nossas comunicações, tutoriais, são no sentido da recomendação do uso. Mas o debate fica muito raso quando todas as questões de segurança se resumem ao capacete”, observou.

Outro ponto discutido em relação à segurança é quanto à velocidade dos patinetes, que hoje podem chegar até 25km/h. Em Porto Alegre os patinetes podem transitar em ciclovias e ciclofaixas (até o limite de 20 km/h) e, se necessário, nas calçadas (neste caso, o limite é de 6 km/h), respeitando sempre a prioridade total aos pedestres e observando o que determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Fonte: JORNAL CORREIO DO POVO
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