Atualizado 10/08/2018

Idosos estão entre faixas etárias que mais registraram mortes no trânsito do RS

No Estado, no primeiro semestre deste ano, grupo entre 65 e 74 anos aparece atrás apenas de pessoas entre 21 e 29 anos

Idosos entre 65 e 74 anos estão entre faixas etárias que mais registraram mortes no trânsito gaúcho no primeiro semestre de 2018. Eles representaram 8,98% do total de vítimas dos acidentes fatais. Esse grupo ficou atrás apenas de quem tem entre 25 e 29 anos (10,15%) e entre 21 e 24 anos (9,80%). No mesmo período de 2017, esses idosos apareciam em sexto lugar, conforme dados divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

 O estudo revela, também, que 62% deles eram condutores ou pedestres, duas das maneiras que mais mataram idosos no trânsito em 2018. Tamanha vulnerabilidade é explicada, em parte, por distração, lentidão na tomada de decisões, perda de audição, de visão e de massa muscular que leva ao enfraquecimento e ao desequilíbrio, segundo o diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS, Newton Luiz Terra:

– Idoso a pé só enxerga o carro ou ouve o barulho quando o veículo está em cima dele. Na direção, não consegue mais virar o volante ou pisar no freio com a mesma força. Tem de ser levado em conta, ainda, que pessoas nesta idade tomam de cinco a oito medicamentos em média, com efeitos colaterais diversos.

Outra interpretação para o ingresso na lista dos três grupos que mais morrem está no envelhecimento da população. Em 2010, 5,62% dos gaúchos tinham entre 65 e 74 anos. Agora, é de 7,45%. Neste mesmo período, essa população passou de 614 mil para 844 mil, crescimento de 37%, segundo o IBGE.

– A proporção de idosos não para de crescer. É uma conta lógica. Aumenta a quantidade de idosos, sobe a exposição deles aos riscos – afirma o sociólogo Eduardo Biavati, especialista em segurança no trânsito. 

Ele lembra que acidentes envolvendo idosos são geralmente mais letais em razão das condições físicas e fisiológicas impostas pela idade. Em 2015 foi a primeira vez, desde o início da série histórica, em 2007, que eles apareceram entre os três grupos que mais morrem no trânsito. Permaneceram na lista em 2016, saíram em 2017, e retornaram neste ano.  

Aumento de acidentes nas estradas estaduais

A comparação entre os primeiros semestres de 2017 e 2018 mostra que diminuíram os acidentes fatais nas vias municipais (-1,93%) e federais (-17,09%), mas cresceram nas estaduais (13,21%). Segundo o chefe de Operações e Treinamento do Comando Rodoviário da Brigada Militar, major Luis Antônio Machado da Silva, o aumento dos acidentes fatais deve-se, principalmente, à imprudência dos motoristas.

O superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Estado, João Francisco Ribeiro de Oliveira, credita a redução das mortes nas estradas da União a investimentos em infraestrutura e em atendimentos pré-hospitalares, direcionamento da fiscalização e soma de esforços de agentes públicos.

O total de mortes no trânsito do Estado manteve-se praticamente estável nos seis meses iniciais de 2018 em relação a igual período do ano passado. A redução foi de 0,81% (de 864 para 857), quantidade insuficiente para se igualar aos índices de 2016, os mais baixos desde que o Detran iniciou o levantamento. 

Além disso, os dados de 2018 são considerados parciais, pois o órgão acompanha por 30 dias pessoas hospitalizadas em razão de acidentes e, caso morram, as inclui no relatório. Para o diretor-geral do Detran, Paulo Roberto Kopschina, a redução neste ano é resultado de série de ações de conscientização:

– A mudança de comportamento no trânsito é uma evolução lenta e gradual e passa necessariamente por programas de educação e fiscalização, como Balada Segura e Viagem Segura, campanhas e ações educativas realizadas tanto pelo Detran, como pelos demais órgãos de trânsito.

Ao corroborar as observações feitas por Kopschina, João Hermes Junqueira, professor da disciplina de Transporte e Mobilidade da Unisinos, acrescenta que educar a população é importante, mas considera as campanhas ineficazes se dissociadas de fiscalização.

Alerta nas ruas

Cuidados que idosos devem ter enquanto pedestres:
- Esperar sempre o sinal verde do semáforo e pedir ajuda para atravessar a rua.
- Jamais parar no meio da travessia.
- Caminhar no centro da calçada, longe do meio-fio.
- Evitar conversas desnecessárias ao atravessar a rua para não se distrair.
- Evitar carregar peso.

Cuidados que idosos devem ter enquanto condutores:
Fazer avaliação da capacidade física e cognitiva e dos medicamentos utilizados.
- Evitar trocar de faixa.
- Optar por veículos com direção hidráulica e câmbio automático.
- Adaptar espelhos que aumentem a visibilidade.
- Estacionar de forma que possa desembarcar pelo lado da calçada.

Como ajudar
Ao perceber que o idoso está sendo xingado no trânsito, que arranhões e pequenos amassados surgiram no veículo, assim como marcas nas rodas, é recomendável levá-lo para uma consulta médica. Com diálogo, sugerir restringir o uso do veículo a trajetos curtos. Sempre que possível, acompanhá-lo nas caminhadas.  

Fonte: Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS

Fonte: GAÚCHA ZH
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