Atualizado 05/12/2018

Morte de cachorra agredida por segurança terceirizado de supermercado gera revolta

Animal foi golpeado com barra de alumínio pontiaguda

Uma barra de alumínio pontiaguda foi o instrumento usado por um segurança terceirizado do supermercado Carrefour, de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, para agredir no último dia 28 uma cachorra vira-lata que frequentava o local. O animal não resistiu aos maus-tratos e morreu no mesmo dia.

Imagens do circuito interno de segurança do supermercado mostram um segurança afastando o animal da entrada da unidade. Em seguida, é possível vê-lo com a barra de alumínio em mãos perseguindo a cachorra.

 

"As imagens mostram o segurança com a barra de alumínio na mão. A cachorrinha passa atrás do carro. Ele vai atrás e acaba desferindo os golpes contra ela", contou ao R7 o vereador Ralfi Silva (Podemos), presidente da Frente Parlamentar de Defesa e Proteção Animal da Câmara de Vereadores de Osasco.

 

A cachorra volta a aparecer instantes depois, já sangrando e buscando refúgio dentro da galeria de lojas do centro comercial. Após esse momento, testemunhas chamam o centro de zoonoses do município para resgatar o animal.

 

Em suas redes sociais, o vereador publicou uma imagem do instrumento utilizado para agredir o animal. Ele esteve na Delegacia de Investigações sobre Infrações Contra o Meio Ambiente, que instaurou inquérito para apurar o caso.

 

O agressor já foi identificado, mas ainda não compareceu à delegacia. O R7 buscou contato nesta quarta com a delegada Silvia Fagundes Theodoro, responsável pela investigação, mas ela não atendeu ao pedido de entrevista. Nesta terça, em comentário divulgado nas redes sociais da ativista Luísa Mell, a delegada afirmou que "não tem mais dúvidas" sobre a autoria do crime.

 

"A agressão ficou comprovada com essas imagens, não tem mais dúvidas. Esse segurança realmente agrediu o cachorro", disse ela, que prometeu apurar "toda a responsabilidade dos demais envolvidos".

 

O vereador Ralfi Silva, que acompanha o caso, afirmou que o agressor prometeu se apresentar até esta quinta-feira. Ele será enquadrado no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que pune quem pratica abusos a animais. Esse crime prevê pena de prisão de três meses a um ano, além de multa. O agressor não irá para a prisão e deverá ser punido com o pagamento de cestas básicas e prestação de serviços a comunidade.

 

 

 

Atendimento ao animal

 

Segundo a prefeitura de Osasco, o atendimento do centro de zoonoses da prefeitura ocorreu às 10h da manhã do último dia 28, cerca de 36 minutos após receber a chamada para "cachorro ferido e sangrando".

 

O animal deu entrada no serviço de emergência com anemia, pressão baixa, temperatura corporal muito baixa, vômito com sangue e escoriações múltiplas. "Apesar do tratamento instituído, o animal veio a óbito".

 

Inicialmente, o centro de zoonoses imaginava se tratar de um caso de atropelamento, o que levou à cremação do animal. Somente no sábado (1º), segundo nota da prefeitura, o Departamento de Fauna em Bem Estar Animal "passou a receber informações que se tratava de um caso de maus tratos e foi iniciado a apuração do caso com solicitação de inquérito policial", que foi instaurado no dia seguinte, domingo. "Somente o inquérito poderá indicar as causas da morte e a quem cabe a responsabilidade", diz a prefeitura.

 

O que diz o Carrefour

 

Em nota, o Carrefour declarou reconhecer "que um grave problema ocorreu na loja de Osasco" e vai reparar o dano. "A empresa não vai se eximir de sua responsabilidade." O professor de Direito e advogado Rafael Paiva disse que, em tese, o caso é crime de maus-tratos aos animais, previsto na Lei dos Crimes Ambientais. A pena prevista é de 3 meses a 1 ano de detenção, com aumento de um terço pela morte.

 

Ainda segundo o advogado, o Carrefour também pode responder pela ação de seus prepostos, se ficar comprovado que a ordem partiu de alguém com algum tipo de comando na loja.

Fonte: jornal Correio do Povo
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